Sócia Atleta: Conheça Vanessa Pereira, atleta do Taboão/Magnus

 Sócia Atleta: Conheça Vanessa Pereira, atleta do Taboão/Magnus

Foto: WP Assessoria

Nosso quadro Sócia Atleta segue com a série especial com atletas de futsal e hoje vamos contar um pouco da história de Vanessa! Natural de Patos de Minas, interior de Minas Gerais, eleita três vezes melhor do mundo no futsal, Vanessa Pereira que vem construindo uma história cada vez mais vitoriosa, relembra sua trajetória no Futsal Feminino. Confira o bate papo:

Turbilhão Feminino – Como começou sua história com o futsal?
Vanessa Pereira –
 Sempre acreditei que o futsal estava no meu sangue, já era o que Deus tinha prescrito para mim, pois morei dentro de uma escola (Adelaide Maciel) durante 14 anos e enquanto meus pais iam trabalhar e minha irmãs estudar, os professores de Ed. Física tomavam conta de mim e segundo eles eu só ficava virada para a quadra de futsal vendo os meninos jogarem. Aos 5 anos um amigo chamado Cicinho começou a ensinar os fundamentos do futsal (passe, drible e chute) e com isso ele foi vendo que tinha algo ali em mim, ele e meu pai foram os meus maiores incentivadores. Meu pai era treinador junto com os professores das escolinhas de futsal e ele também me treinava. Aos 10 anos joguei minha primeira competição que foi os Jogos Escolares entre as escolas da cidade e somente aos 12 anos entrei pra minha escolinha de futsal feminino e a partir dali tudo mudou. Começamos a jogar na região e aos 17 anos sai de Patos para viver somente do futsal. Porém fiquei só 1 mês fora de casa e com saudade dos meus pais e família voltei, mas, com 3 dias em casa vendo meus pais trabalharem pra colocar comida em casa e minha irmãs também, decide voltar e lutar pra dar uma condição de vida melhor para mim e para todos eles. Graças a Deus vem dando tudo certo.

TF – Quais as maiores dificuldades que enfrentou durante a sua carreira e qual o momento mais emocionante que você viveu?
VP – A questão do preconceito pegou muito no início, até da minha mãe que não queria que eu jogasse com os meninos, apanhei muito (riso). Mas, depois ela viu que era isso que eu queria e hoje sou o orgulho dela. A falta de não ter escolinhas somente de futsal feminino também foi um marco muito difícil, essa falta de apoio para o esporte feminino.

O momento mais emocionante foi o dia que entreguei minha primeira camisa da Seleção Brasileira para o meu pai. Fiz a promessa para ele que eu só voltaria para casa o dia que desse minha camisa da Seleção para ele, já que meu sonho era chegar na seleção, foi em Junho de 2011, o mais emocionante para mim.

TF – Para você quais as maiores diferença do Futsal Estrangeiro para o Futsal Brasileiro que pôde perceber com a sua experiência?
VP – O calendário completo. Lá sabemos quando e quais competições iremos jogar desde o início da temporada. Aqui temos essa dificuldade de captar recursos para as competições e indefinição tardia para definir quando e quais. Estrutura do Futsal Espanhol é melhor que aqui e Itália. Porém a qualidade técnica e tática do Futsal Brasileiro é absurdamente superior que no exterior.

Foto: Ian Freitas

TF – Para você o que diferencia o futsal do futebol e porque ainda hoje existe essa diferença?
VP – 
Para mim são dois esportes distintos, mas, se somados transforma uma jogadora comum em uma baita de uma jogadora. Para mim futsal é processo inicial para começar, o espaço curto, os dribles e pensamento rápido. Futebol você abrange força física e somado com estas coisas é fantástico. Hoje vemos muita migração para o futebol e isso devido a melhoria das condições para as jogadoras, a visibilidade que mudou, NÃO COMO SE MERECE, mas melhorou. O dia que tivermos essa visibilidade e retorno, acho que o futsal crescerá mais ainda.

TF – Quais suas referências dentro e fora do esporte?
VP –
 Meu pai e meu cunhado. Vander Iacovino, Roger Federer, Éder Popiolki, Bernardinho e Ayrton Senna. Estes me espelhei muito durante minha trajetória e alguns deles tive a honra de ser treinada.

Foto: Arquivo Pessoal

TF – Qual a sensação de voltar a atuar no Brasil e qual a expectativa para o campeonato?
VP –
 Sensação de estar em casa. De saber que estou no meu lugar. Espero de coração devolver em forma de ótimas performances todo carinho e atenção que venho recebendo. Estou ansiosa para jogar, quero jogar. Até porque só de treinar com a Cris e esse grupo de jogadoras já estou encantada, imagina jogando.

TF – Como 3x melhor do mundo você inspira muita gente. Qual mensagem você deixa para aqueles que querem seguir no esporte?
VP –
 Que o esporte não é um mar de rosas, ainda mais em modalidades tão desvalorizadas como é nosso futsal feminino. Mas se existe um desejo no coração e um propósito pra ser seguido vá em frente. Não pare! Entenda que toda dificuldade é transformada em glórias muito mais valiosas. É prazeroso trabalhar e viver do que amamos fazer. Futsal é minha vida, meu amor e por ele eu vou e faço o que tiver que fazer para deixá-lo como merece. Se o pensamento for esse, vamos longe. Com fé, força de vontade, treinos e dedicação de querer aprender e evoluir, tudo se torna possível.

Desejamos a fera Vanessa sucesso na sua caminhada! Que todos os seus sonhos e objetivos se realizem. Aproveitamos para agradecer a disponibilidade, carinho e respeito com o nosso projeto.

Edição: Fernanda Barros / Fidel Costa – @turbilhãofeminino
Assessoria: WP Assessoria – @wp_assessoria

Fernanda Barros