Turbilhão Retrô: Saad Esporte Clube, um marco histórico que deu início à tradição paulista no futebol feminino

 Turbilhão Retrô: Saad Esporte Clube, um marco histórico que deu início à tradição paulista no futebol feminino

Foto: Saad Esporte Clube/ Reprodução

Sem dúvidas, o Estado de São Paulo é o grande polo brasileiro do futebol feminino. Além do campeonato estadual mais antigo do Brasil e do enorme poderio econômico, lá se concentram as principais equipes do futebol feminino: Corinthians, atual campeã brasileira e Ferroviária, atual campeã da Libertadores encabeçam uma lista enorme de grandes equipes que possuem destaque no cenário nacional formando uma liga local muito forte.

Entretanto, como citamos na edição anterior do Turbilhão Retrô, a modalidade precisou percorrer um longo caminho marcado pela resistência de toda comunidade esportiva do futebol feminino, protagonizada pelas atletas, até chegar ao patamar atual. Por mais absurdo que seja o esporte foi proibido de ser praticado até o início dos anos 80. Desse modo, além do Radar no Rio, coube ao Saad Esporte Clube dar início a uma verdadeira luta pela igualdade em terras paulistas.

Foto: Saad Esporte Clube/ Reprodução

Palco da primeira partida de futebol feminino da história do país em 1921, somente na primeira metade dos anos 80, com a regulamentação do futebol para mulheres o paulistão feminino teve a autorização para sair do papel. Eis que, em 1985, antes da realização efetiva do campeonato paulista iniciado em 1987, o Saad Esporte Clube resolveu abraçar a causa promovendo a organização do primeiro grande esquadrão feminino da história do futebol de São Paulo.

Atualmente sediado no Mato Grosso do Sul, o Saad pertencia à cidade de São Caetano do Sul, ABC paulista, e conquistou 6 disputas da Copa São Paulo, as Taças Brasil de 1989, 1991, 1996 e 2003; além do vice-campeonato do Mundialito de Clubes de 1986. O sucesso era tão estrondoso que em parceria com a National American University o Saad Esporte Clube chegou a possuir uma espécie de “filial” nos EUA no fim dos anos 90 disputando partidas do chamado “indoor soccer”, futebol de campo “Co-ed” (praticado por mulheres e homens de forma conjunta) e futebol de campo tradicional.

Sofrendo grave crise financeira, o clube mudou-se para o Mato Grosso do Sul no início do século e permanece em atividade até hoje. A última grande conquista da equipe azul e branca foi a Copa do Brasil de Futebol Feminino 2007.

Foto: Saad Esporte Clube/ Reprodução

As leis de mercado que contribuíram para o crescimento do esporte e investimento dos grandes clubes do cenário do futebol brasileiro aumentaram a demanda pelo futebol feminino, mas, em contrapartida, enfraqueceram algumas instituições com tradição especificamente no esporte voltado somente para as mulheres, isto é, times que tinham no futebol feminino seu objetivo principal ou único. O Saad não fugiu dessa regra refletida no recente rebaixamento do Iranduba-AM na Série A1 do Brasileirão 2020, ou na decadência de equipes como o São Francisco do Conde-BA, por exemplo.

Independentemente de qualquer coisa, nada tira a tradição e o pioneirismo do Saad Esporte Clube que mesmo estando atualmente fora do eixo RJ x SP, sediado no Mato Grosso do Sul, região centro-oeste do Brasil, deu o pontapé inicial na história do futebol do estado mais rico do Brasil: São Paulo. Abrir as portas para a prática esportiva das mulheres quando ninguém acreditava, além de ser um ato de resistência em prol da diversidade no esporte, denota um feito superior às diversas conquistas possíveis dentro das quatro linhas.

Edição: André Chagas – @turbilhaofeminino

André Chagas

https://twitter.com/andreelchagas

Carioca, profissional de marketing, jornalismo esportivo e locutor. Gerente de Conteúdo no TFF, idealizador do projeto Raça & Futebol, professor de geografia e um grande entusiasta do esporte.